Ingredientes Parte I

Água cervejeira impacta nas características finais da cerveja.

Hola!

A maioria das cervejas possuem esses quatro ingredientes básicos: água, lúpulo, malte e levedura!

90-95% da cerveja é água, e todos médicos e especialistas recomendam a ingestão diária de 1,5-2L de água, logo…ops…acredito que eu possa estar mudando um pouco o contexto! Não tente isso em casa!

Porém, de fato a água é um importante componente da cerveja. A presença de alguns sais pode ser determinante para intensificar alguma sensação da sua cerveja, ou até mesmo para causar sabores indesejáveis (chamamos off-flavors). Por exemplo, água com presença de cloro, como aquela da torneira tratada pela agência de saneamento, pode ocasionar sabores de esparadrapo e outros componentes hospitalares. Nada bacana né?!

Além disso, alguns estilos podem ter sido favorecidos devido ao tipo de água presente no país/região onde ele era feito. Dizem que as águas da cidade de Burton, Inglaterra, favoreceram o surgimento das India Pale Ales (IPAs) devido à alta concentração de sulfatos.

Então, o que é esperado da água usada para fazer cerveja? Basicamente, tem que ser potável e com uma composição de sais ideal para cada estilo de cerveja. A cervejaria precisa fazer análises físico-químicas e biológicas recorrentes para conhecer e também garantir a segurança de sua água. Na maioria dos casos, a cervejaria faz um tratamento na água e depois adiciona os sais necessários e benéficos para o estilo de cerveja que queira fazer (chamamos de “perfil da água”)

Esses cones são as flores dos lúpulos, onde se encontram as substâncias que conferem amargor, aroma e sabor à cerveja.

Vamos agora falar dos lúpulos?! Esses são bem conhecidos e muitas vezes o filho prodígio de muitos cervejeiros e apreciadores (quem curte uma IPA ai?!).

O lúpulo é uma planta trepadeira e, para os fins cervejeiros, se utiliza as flores das plantas fêmeas. Nessas flores, são encontrados uma quantidade enorme de substâncias aromáticas e que podem trazer sabores, aromas e amargor para a cerveja.

Além disso, o terroir (condições únicas de clima e solo onde foram cultivados) dos lúpulos influenciam nesses sabores e aromas. Por exemplo, lúpulos da região da Alemanha/República Tcheca possuem aromas herbáceos e florais, as espécies inglesas possuem aromas resinosos e de pinho, enquanto os americanos conferem aromas cítricos e de frutas tropicais.

E como os lúpulos podem fornecer aromas, sabores e amargor à cerveja? Bom, aí que entra o cervejeiro e o processo de se fazer cerveja. Basicamente temos uma etapa de fervura quando fazemos a cerveja (geralmente entre 60-70 minutos). De uma forma simplificada, quanto maior a quantidade e tempo de fervura, maior será o amargor da cerveja. Quando colocamos o lúpulo da metade para o final da fervura, teremos uma maior influência no sabor. Por último, quando adicionamos os lúpulos no final da fervura ou após essa etapa (na fermentação ou maturação) maior será sua contribuição para o aroma.

Fratis Session IPA

Agora ficou fácil né? Vamos exemplificar com as cervejas da Fratis.

A Hop Lager e a Session IPA possuem um aroma destacado de lúpulo, logo em ambas nós adicionamos lúpulos após a fervura (dry hopping), favorecendo essa característica. Em termos de amargor, a Session IPA é mais amarga que a Hop Lager, logo a quantidade de lúpulo utilizada no início da fervura é maior para a Session IPA que para a Hop Lager.

Tranquilo, né?!

Em um próximo post falaremos dos maltes e das leveduras!

Ficou alguma dúvida? Comenta ai!

Até

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Texto por

Fabiano Ferreira de Paula

Cervejeiro caseiro desde 2016, é sócio fundador e principal consumidor da Cervejaria Fratis. Vasta experiência em escrita com foco em depoimentos do Orkut. Sommelier de cervejas pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS). Possui doutorado em química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também realiza atualmente seu pós-doutorado em Inovação e Biotecnologia.

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